A literatura em perigo
O prazer das letrasEm ensaio autobiográfico com nuances de linguística e história cultural. escritor revela volúpia literária O impacto das palavras abalou a infância de um menino búlgaro de tal maneira que ele não conseguiu mais largá-las. Era a literatura mostrando ao ainda pequeno Tzvetan Todorov suas garras. seu poder visceral nas histórias dos irmãos Grimm. de Hans Christian Andersen. de Victor Hugo em Os miseráveis. e de obras como Tom Sawyer. Em uma narrativa deliciosa que mescla experiências autobiográficas com referências do pensamento literário e de grandes obras universais. Todorov faz uma prosa despretensiosa. uma conversa com o leitor. na qual se destaca sua destreza como contador de histórias e ao mesmo tempo como crítico e pensador do campo das linguagens. A edição é enriquecida com textos de Caio Meira. que além da tradução assina o texto de apresentação do livro. e de Jorge Coli. crítico de arte. Ambos enfocam o caráter múltiplo do ensaio de Todorov e apresentam conexões da literatura com outras artes e com o ensino de literatura nos bancos escolares. Cuidado: Dostoievski em mãos Todorov não é o único a “reclamar” as façanhas que prega a literatura e seus desdobramentos na vida dos leitores. Alguns se veem perseguidos ou subjugados para sempre por histórias de Dostoiesvki. Kafka. Baudelaire. Oscar Wilde. Cervantes. e personagens emblemáticos como o príncipe Míchkin e Ema Bovary. O crítico cultural e escritor norte-americano Lee Segal. em artigo publicado em 2008 na prestigiada New Yorker. ressalta com humor impagável os “danos” – muitas vezes irreparáveis – que a literatura causa nas pessoas. Com caráter simbiótico. o livro cumpre um papel raro no campo da teoria literária – o de retratar assuntos densos. com pontos de contato entre várias formas de arte. escritos com