Arranjos para assobio
Em Arranjos para assobio, Manoel de Barros demarca com clareza seu terreno no mundo poético ao criar uma singular e incontornável geopolítica da língua. É o assobio, e não a música ou a canção, que sua poesia deseja sonoramente alcançar. Pois se há canto neste poeta, ele “reboja”, e sua voz se quer “úmida como restos de comida”. São muitas as ramificações do poético neste breve - porém incessante e inesgotável - volume, em que as frases (ou aforismos) se sucedem, “formando riachos, mais tarde rios”, no belo dizer de Luiz Ruffato. Manoel de Barros radicaliza o desejo de uma poética do baixo, da matéria, do abjeto: será do entulho do mundo e do miasma do pântano que brotará a palavra poética como aproximação corporal de um sentido telúrico. É neste livro que encontramos a célebre definição de Manoel de Barros da poesia como “inutensílio”. O território de sua criação se contrapõe a tudo que é útil, funcional ou calculado. Aqui, o discurso poético se revela alheio à lucidez da razão, pois é no “desfazimento” metódico do entendimento que a palavra poética cumpre seu papel.

Arranjos para assobio

R$47,90Preço
  • Autor(a)

    MANOEL DE BARROS
  • Editora

    Alfaguara / Companhia das Letras
  • Palavra-chave

    linguagem; Pantanal; natureza; poesia nacional; Brasil; interior
  • Página

    120