Iniciação à literatura brasilera

Este livro é um resumo histórico da literatura brasileira, desde as origens no século XVI até os nossos dias, focalizando o que se pode chamar o seu processo formativo. Daí a menção ao mínimo possível de autores, com destaque apenas para os que desempenharam nele papel de certo relevo ou significado.

 

A história da nossa literatura tem sido estudada de várias maneiras. A mais antiga é a que a encara como aquisição progressiva de consciência da realidade do país associada ao sentimento nacional. Outras a vêem como transposição das sucessivas modas literárias do Ocidente da Europa, sua matriz cultural. Nem faltou quem a visse em correlação com a economia e os fatos políticos, ou que negasse a possibilidade de um enfoque histórico propriamente dito, preferindo encará-la como sucessão aleatória de autores e tendências.

 

Essas concepções contribuíram e contribuem, cada uma a seu modo, porque não há critérios absolutamente válidos, mas neste livro o ponto de vista é diferente, pois o autor procura determinar de que maneira a literatura foi se formando como atividade regular e como instituição de cultura, caracterizada pela articulação progressiva de elementos que permitem falar em literatura plenamente configurada. Para isso, recorre à idéia de “sistema”, ou seja, o entrosamento orgânico de “autores” que manipulam meios expressivos concretizados em “obras” por eles produzidas e recebidas por um “público”. Quando se estabelece esse relacionamento, forma-se uma “tradição”, que permite aos novos autores inspirarem-se nos antecessores locais, em lugar de recorrerem apenas às sugestões das literaturas matrizes. Deste modo, forma-se uma “continuidade”, que assegura na duração temporal o funcionamento do sistema. Aplicando esta hipótese, o autor distingue três momentos na história da literatura brasileira: (1) o das manifestações literárias”, do século XVI a meados do século XVIII; (2) o da “configuração do sistema literário”, da metade do século XVIII ao fim do Romantismo; (3) o do “sistema literário consolidado”, que vem até os nossos dias. No primeiro momento não há vida literária, mas atividades isoladas em vários pontos da colônia, ligadas ao sistema literário português, o que não impede o aparecimento de grandes escritores, como Antonio Vieira e Gregório de Matos.

 

No século XVIII, a atividade das academias e o esboço de intercâmbio iniciam a nova etapa, que amadurece ao longo do século XIX com o adensamento do público de leitores, as editoras, os periódicos, o aumento considerável da produção de obras, a crítica, os contactos de vária espécie entre os escritores. Os livros de Machado de Assis a partir de 1880 são, por assim dizer, um sinal de maturidade do sistema literário, que entraria pelo século XX como expressão de uma literatura plenamente consolidada enquanto instituição cultural. Segundo o autor, este modo de ver, que não pretende ser único nem impositivo, mas apenas um dos modos possíveis de encarar historicamente a nossa literatura, permite superar a contradição entre histórico e estético, fundindo-os dialeticamente no conceito de sistema.

Iniciação à literatura brasilera

R$ 29,50Preço
  • Antonio Candido

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